Exortação Oficial | Núnciatura Apostólica


DOM SÁVIO RODRIGUES
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APÓSTOLICA
NÚNCIO APOSTOLICO PARA O BRASIL

A todos que tomarem conhecimento destas presentes letras,
saudação, paz e bênção no Senhor!


Brasília, 30 de Dezembro de 2025

No exercício que me foi confiado pela Sé Apostólica, e compelido pela obrigação moral e pastoral de guardar a verdade, a comunhão e a reta disciplina da Igreja, dirijo esta exortação em tom sério, direto e inequívoco. O tempo de palavras vazias acabou. O silêncio diante do erro tornou-se cumplicidade, e a tolerância com a falsidade já não pode ser justificada como prudência pastoral.

É inaceitável que, no seio do episcopado, persistam atitudes marcadas por ignorância deliberada, vaidade pessoal, fechamento ao diálogo e desprezo pelas exigências objetivas do ministério episcopal. Não se trata de simples limitações humanas, mas de posturas conscientes que ferem gravemente a comunhão eclesial e escandalizam o Povo de Deus. Quem se recusa a ouvir, a discernir e a corrigir-se não age como pastor, mas como senhor; não serve à Igreja, serve a si mesmo.

A falsidade, seja em palavras, documentos, intenções ou atitudes, é absolutamente incompatível com o ministério de quem foi consagrado para ser testemunha da Verdade que é Cristo. Não existe “falsidade pastoral”, nem “mentira estratégica” a serviço da Igreja. Toda mentira corrói a autoridade moral do bispo e destrói a confiança dos fiéis. Onde há falsidade, já não governa o Espírito Santo, mas o espírito do mundo.

Recordo, com firmeza, que o bispo não é autônomo, não é intocável e não está acima da Igreja. Ele está sob o juízo de Deus, sob a disciplina eclesial e sob a exigência permanente de coerência entre vida, palavra e ação. O zelo apostólico não se manifesta em discursos inflamados nem em posturas autoritárias, mas na fidelidade concreta à verdade, na coragem de assumir erros e na disposição real para servir, e não dominar.

Esta exortação é também um aviso pastoral. A persistência em condutas marcadas pela soberba, pela falsidade e pela ignorância voluntária não pode ser normalizada nem protegida por conveniências institucionais. A Igreja não pertence a projetos pessoais, nem a feudos episcopais. Ela pertence a Cristo, e a Ele cada pastor deverá prestar contas, sem subterfúgios, sem desculpas e sem máscaras.

Conclamo, portanto, à conversão imediata e sincera. Quem não estiver disposto a viver a verdade, a comunhão e o serviço humilde, reexamine seriamente sua consciência diante de Deus e da Igreja. A gravidade dos tempos exige pastores íntegros, e não administradores de aparências.

Que esta palavra seja recebida com a seriedade que exige, pois nasce do dever apostólico e não da conveniência humana. A Igreja no Brasil não necessita de encenações, mas de verdade; não de autoritarismo, mas de zelo autêntico; não de falsos pastores, mas de servos fiéis.

+ Dom Sávio Rodrigues
Núncio Apostólico do Brasil

+ Dom Edgar Costa
Pro-Núncio 

Pe. Paulo Henrique
Secretário
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