A falsidade, seja em palavras, documentos, intenções ou atitudes, é absolutamente incompatível com o ministério de quem foi consagrado para ser testemunha da Verdade que é Cristo. Não existe “falsidade pastoral”, nem “mentira estratégica” a serviço da Igreja. Toda mentira corrói a autoridade moral do bispo e destrói a confiança dos fiéis. Onde há falsidade, já não governa o Espírito Santo, mas o espírito do mundo.
Recordo, com firmeza, que o bispo não é autônomo, não é intocável e não está acima da Igreja. Ele está sob o juízo de Deus, sob a disciplina eclesial e sob a exigência permanente de coerência entre vida, palavra e ação. O zelo apostólico não se manifesta em discursos inflamados nem em posturas autoritárias, mas na fidelidade concreta à verdade, na coragem de assumir erros e na disposição real para servir, e não dominar.
Esta exortação é também um aviso pastoral. A persistência em condutas marcadas pela soberba, pela falsidade e pela ignorância voluntária não pode ser normalizada nem protegida por conveniências institucionais. A Igreja não pertence a projetos pessoais, nem a feudos episcopais. Ela pertence a Cristo, e a Ele cada pastor deverá prestar contas, sem subterfúgios, sem desculpas e sem máscaras.
Conclamo, portanto, à conversão imediata e sincera. Quem não estiver disposto a viver a verdade, a comunhão e o serviço humilde, reexamine seriamente sua consciência diante de Deus e da Igreja. A gravidade dos tempos exige pastores íntegros, e não administradores de aparências.
Que esta palavra seja recebida com a seriedade que exige, pois nasce do dever apostólico e não da conveniência humana. A Igreja no Brasil não necessita de encenações, mas de verdade; não de autoritarismo, mas de zelo autêntico; não de falsos pastores, mas de servos fiéis.

