Exortação Oficial | Núnciatura Apostólica

 


DOM SÁVIO RODRIGUES
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APÓSTOLICA
NÚNCIO APOSTOLICO PARA O BRASIL

A todos que tomarem conhecimento destas presentes letras,
saudação, paz e bênção no Senhor!


Brasília, 23 de Janeiro de 2026

São Gregório Magno 

“A autoridade pastoral deve ser exercida mais pelo exemplo do que pelo poder.”

Dirijo-me aos irmãos no episcopado e no cardinalato com a seriedade que o momento exige e com o peso da responsabilidade que me foi confiada pela Sé Apostólica. O que recentemente se tornou público. Disputas, confrontos verbais, atitudes ríspidas e conflitos absolutamente evitáveis, não se trata de simples divergências de opinião, mas de comportamentos que revelam ausência de prudência, falta de caridade pastoral e uma preocupante incapacidade de diálogo respeitoso entre aqueles que foram chamados a ser sinais visíveis de unidade.

É profundamente lamentável constatar que tais situações não teriam existido se tivesse havido disposição mínima para a escuta, para a linguagem educada e para o discernimento sereno. O que se viu, ao contrário, foi ignorância voluntária que se recusa a ouvir, autoritarismo que confunde autoridade com imposição e um desejo desordenado de mandar, desprovido do espírito evangélico que deve reger toda ação episcopal. Como já advertia São Gregório Magno, a autoridade pastoral deve ser exercida mais pelo exemplo do que pelo poder, princípio que, quando ignorado, transforma o ministério em motivo de divisão e escândalo.

Recordo com absoluta clareza que nenhum bispo ou cardeal está acima da ordem eclesial, nem pode instrumentalizar cargos, dicastérios ou referências a Roma para justificar atitudes que ferem a unidade da Igreja. A autoridade, quando separada da caridade e da humildade, deixa de ser serviço e passa a ser abuso. Quem recebeu a plenitude do sacerdócio recebeu também a obrigação grave de manifestar equilíbrio, maturidade espiritual e respeito fraterno, sobretudo nos momentos de tensão e divergência.

Na qualidade de Núncio Apostólico para o Brasil, legítimo representante do Santo Padre neste território, declaro publicamente que possuo plena autoridade para intervir, corrigir, advertir e, se necessário, aplicar as medidas disciplinares cabíveis àqueles que residem no Brasil, autoridade esta exercida com ciência e autorização pontifícia. Tal prerrogativa não é instrumento de intimidação, mas dever de governo, exercido não por vontade pessoal, mas em obediência à missão recebida e em defesa da comunhão eclesial.

A correção fraterna e o diálogo constituem sempre o primeiro caminho. Quando, porém, estes são conscientemente rejeitados pela soberba, pela obstinação ou pela recusa à comunhão, a Igreja não se omite nem relativiza a gravidade dos fatos. A tolerância diante de condutas indignas no alto clero não é misericórdia; é negligência pastoral.

Exorto, portanto, com máxima clareza e severidade, que cessem imediatamente as disputas inúteis, os confrontos desnecessários e toda postura que desonra o ministério episcopal. A Igreja não necessita de figuras em conflito, mas de pastores conscientes de que governar é servir, corrigir é dever e obedecer é sinal de maturidade espiritual.

Que esta exortação seja recebida como um chamado sério à responsabilidade, à conversão interior e ao retorno à dignidade própria do ministério confiado. O bem da Igreja, a fidelidade ao Santo Padre e o respeito devido ao Povo de Deus assim o exigem.

Dado e Passado em Brasília, na sede da Nunciatura Apostólica,
aos 23 dias do mês de Janeiro no ano de 2026
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+ Dom Sávio Rodrigues 
Núncio Apostólico para o Brasil 

+ Dom Edgar Costa
Pro-Núncio 

Pe. Matteo Aurélio
Secretário
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