Mensagem a todos os Padres e Bispos | Nunciatura Apostólica

     

DOM SÁVIO RODRIGUES
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APÓSTOLICA
NÚNCIO APOSTOLICO PARA O BRASIL
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Português (PT)

Aos Reverendíssimos Padres e Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores Arcebispos e Bispos, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Nunciatura Apostólica no Brasil, em espírito de comunhão com a Santa Sé e com todos os Ordinários, dirige esta breve Mensagem a todo o clero não apenas para recordar responsabilidades próprias do ministério ordenado, mas também para deixar uma palavra de proximidade, fraternidade e cuidado a cada sacerdote que, diariamente, procura servir a Cristo e à sua Igreja.

O sacerdócio é uma graça imensa, mas também é uma caminhada que conhece cansaços, dificuldades, dúvidas e momentos de fragilidade. O sacerdote que hoje celebra a Santa Missa, atende uma comunidade, administra os sacramentos e oferece uma palavra de esperança ao seu povo continua sendo um homem que também precisa, algumas vezes, ser escutado, acolhido e fortalecido. A Igreja não desconhece essa realidade e não deseja que nenhum de seus ministros enfrente sozinho aquilo que pesa sobre seus ombros.

Ao mesmo tempo, é necessário recordar que o ministério sacerdotal traz consigo uma responsabilidade que não pode ser deixada de lado. O Decreto do Dicastério para o Clero (Acesse Aqui o Decreto), recorda, em seu Art. 1º, o dever de todo clérigo de celebrar regularmente a Santa Missa, ao menos duas vezes por semana, salvo justa causa devidamente comprovada. O Art. 2º estabelece medidas diante da inatividade injustificada, enquanto os Arts. 3º e 4º tratam das consequências previstas para situações de reincidência ou de prolongada ausência injustificada.

Essas normas devem ser observadas com seriedade, porque o ministério recebido não é uma função que exercemos somente quando estamos bem ou quando as circunstâncias são fáceis. Fomos chamados a servir também nos dias difíceis. Entretanto, a própria existência dessas normas não significa que a Igreja queira simplesmente apontar erros ou aplicar punições. Antes de tudo, deseja que cada sacerdote permaneça próximo de seu Pastor e encontre na Igreja um lugar onde possa falar com verdade.

Por isso, esta Nunciatura pede especialmente a todo sacerdote que esteja passando por alguma dificuldade: não se afaste em silêncio. Se estiver cansado, converse com seu Bispo. Se estiver enfrentando uma situação pessoal ou espiritual difícil, procure seu Ordinário. Se estiver encontrando dificuldades no exercício do ministério, peça ajuda. Não espere que o problema cresça para depois procurar alguém. Às vezes, uma conversa sincera pode mudar completamente o rumo de uma situação.

Pedir ajuda não diminui um sacerdote. Pelo contrário, pode ser um dos atos mais humildes e responsáveis que ele pode realizar por sua própria vocação e pelo povo que lhe foi confiado.

O Concílio Vaticano II, em Presbyterorum Ordinis, recorda que os presbíteros estão unidos por uma verdadeira fraternidade sacramental e que devem cuidar uns dos outros, especialmente daqueles que enfrentam dificuldades. Presbyterorum Ordinis — Vaticano Não somos sacerdotes isolados. Somos irmãos. E um irmão não deve ser deixado sozinho quando está carregando um peso que já não consegue carregar.

Da mesma forma, esta Nunciatura dirige uma palavra aos Ordinários: estejam próximos de seus sacerdotes. Escutem-nos não somente quando houver algum problema, mas também quando simplesmente precisarem conversar. Conheçam seus presbíteros, suas alegrias, seus cansaços e suas dificuldades. A autoridade episcopal também se manifesta quando o Bispo sabe acolher, orientar e estender a mão. Como ensina a Lumen Gentium, os sacerdotes devem reconhecer no Bispo um pai, e o Bispo deve considerar seus sacerdotes como colaboradores, filhos e amigos. Lumen Gentium — Vaticano

A Palavra de Deus nos lembra: “Levai os fardos uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6,2). Esta palavra precisa encontrar espaço também entre nós. Quando um sacerdote sofre, seu presbitério não pode permanecer indiferente. Quando um irmão se encontra cansado, a resposta não deve ser apenas uma cobrança, mas também uma mão estendida.

Isso não significa relativizar a disciplina da Igreja. Significa compreendê-la dentro de uma Igreja que é, ao mesmo tempo, mãe, mestra e casa de misericórdia. A fidelidade ao ministério continua sendo indispensável; a celebração da Eucaristia continua sendo o coração da vida sacerdotal; a presença junto ao povo continua sendo uma responsabilidade que não pode ser esquecida. Mas, quando existe uma verdadeira dificuldade, que exista também coragem para falar e disposição para escutar.

A todos os sacerdotes, portanto, esta Nunciatura deixa uma palavra simples: não desistam facilmente daquilo que Deus confiou a vocês. Talvez haja dias em que o ministério pareça pesado. Talvez existam momentos em que a alegria do chamado pareça distante. Nesses momentos, voltem à fonte, aproximem-se do altar, procurem o Senhor e conversem com aqueles que a Igreja colocou para caminhar ao lado de vocês.

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).

Que esta Mensagem seja recebida não como uma palavra de ameaça, mas como um chamado à responsabilidade e, sobretudo, à comunhão. A Igreja precisa de sacerdotes fiéis, presentes e disponíveis, mas também precisa cuidar daqueles que entregaram sua vida a Cristo.

Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja e Mãe dos Sacerdotes, acompanhe cada um dos ministros ordenados do Brasil e lhes conceda perseverança, coragem e alegria para continuar servindo.

Sem mais, despeço-me,


Dado e Passado em Brasília, na sede da Nunciatura Apostólica,
aos 07 dias do mês de Setembro no ano de 2026.

Espanhol (ES)

A los Reverendísimos Padres e Reverendísimos Arzobispos y Obispos, y a todo el clero, la gracia y la paz de Dios Padre y de Nuestro Señor Jesucristo.

La Nunciatura Apostólica en Brasil, en comunión con la Santa Sede y con todos los Ordinarios, dirige esta breve mensaje a todo el clero no solo para recordar las responsabilidades propias del ministerio ordenado, sino también para ofrecer una palabra de cercanía, fraternidad y cuidado a cada sacerdote que diariamente busca servir a Cristo y a su Iglesia.

El sacerdocio es una inmensa gracia, pero también un camino que conoce el cansancio, las dificultades, las dudas y los momentos de fragilidad. El sacerdote que hoy celebra la Santa Misa, atiende a una comunidad, administra los sacramentos y ofrece una palabra de esperanza a su pueblo, sigue siendo un hombre que también necesita, a veces, ser escuchado, acogido y fortalecido. La Iglesia es consciente de esta realidad y no desea que ninguno de sus ministros afronte solo el peso que recae sobre sus hombros. 

Al mismo tiempo, es necesario recordar que el ministerio sacerdotal conlleva una responsabilidad ineludible. El Decreto del Dicasterio para el Clero (accede al decreto aquí) recuerda, en su artículo 1, el deber de todo clérigo de celebrar regularmente la Santa Misa al menos dos veces por semana, salvo causa justificada debidamente. El artículo 2 establece medidas ante la inactividad injustificada, mientras que los artículos 3 y 4 abordan las consecuencias previstas para situaciones de reincidencia o ausencia prolongada e injustificada.

Estas normas deben observarse con seriedad, pues el ministerio que hemos recibido no es una función que ejerzamos únicamente cuando estamos bien o cuando las circunstancias son fáciles. Hemos sido llamados a servir incluso en tiempos difíciles. Sin embargo, la mera existencia de estas normas no significa que la Iglesia simplemente quiera señalar errores o aplicar castigos. Ante todo, desea que cada sacerdote permanezca cerca de su párroco y encuentre en la Iglesia un espacio donde pueda hablar con sinceridad.

Por ello, esta Nunciatura pide especialmente a todo sacerdote que esté atravesando alguna dificultad: no se aísle en silencio. Si está cansado, hable con su obispo. Si se enfrenta a una situación personal o espiritual difícil, busque a su ordinario. Si encuentra dificultades en el ejercicio de su ministerio, pida ayuda. No espere a que el problema se agrave antes de buscar a alguien. A veces, una conversación sincera puede cambiar por completo el rumbo de una situación.

Pedir ayuda no disminuye la dignidad de un sacerdote. Al contrario, puede ser uno de los actos más humildes y responsables que puede realizar por su propia vocación y por las personas que le han sido confiadas.

El Concilio Vaticano II, en Presbyterorum Ordinis, nos recuerda que los sacerdotes están unidos por una verdadera fraternidad sacramental y que deben cuidarse unos a otros, especialmente a quienes atraviesan dificultades. Presbyterorum Ordinis — Vaticano. No somos sacerdotes aislados. Somos hermanos. Y a un hermano no se le debe dejar solo cuando lleva una carga que ya no puede soportar.

De igual modo, esta Nunciatura dirige un mensaje a los Ordinarios: estén cerca de sus sacerdotes. Escúchenlos no solo cuando hay un problema, sino también cuando simplemente necesitan hablar. Conozcan a sus sacerdotes, sus alegrías, sus cansancios y sus dificultades. La autoridad episcopal también se manifiesta cuando el obispo sabe acoger, guiar y brindar apoyo. Como enseña Lumen Gentium, los sacerdotes deben reconocer en el obispo a un padre, y el obispo debe considerar a sus sacerdotes como colaboradores, hijos y amigos. Lumen Gentium — Vaticano

La Palabra de Dios nos recuerda: «Sobrelleven los unos las cargas de los otros, y así cumplirán la ley de Cristo» (Gál 6,2). Este mensaje también debe resonar entre nosotros. Cuando un sacerdote sufre, su presbiterio no puede permanecer indiferente. Cuando un hermano está cansado, la respuesta no debe ser solo una exigencia, sino también una mano tendida.

Esto no significa relativizar la disciplina de la Iglesia. Significa comprenderlo dentro de una Iglesia que es, a la vez, madre, maestra y casa de misericordia. La fidelidad al ministerio sigue siendo indispensable; la celebración de la Eucaristía sigue siendo el corazón de la vida sacerdotal; la presencia entre el pueblo sigue siendo una responsabilidad que no se puede olvidar. Pero, cuando haya una verdadera dificultad, que haya también valor para hablar y disposición para escuchar.

Por lo tanto, a todos los sacerdotes, esta Nunciatura les deja una sencilla palabra: no abandonen fácilmente lo que Dios les ha confiado. Quizás haya días en que el ministerio parezca una carga. Quizás haya momentos en que la alegría de la vocación parezca lejana. En esos momentos, vuelvan a la fuente, acérquense al altar, busquen al Señor y conversen con aquellos a quienes la Iglesia ha puesto para acompañarlos.

«Vengan a mí todos ustedes que están cansados ​​y agobiados, y yo les daré descanso» (Mt 11,28).

Que esta mensaje se reciba no como una amenaza, sino como un llamado a la responsabilidad y, sobre todo, a la comunión. La Iglesia necesita sacerdotes fieles, presentes y disponibles, pero también necesita cuidar de quienes han entregado su vida a Cristo.

Que Nuestra Señora, Madre de la Iglesia y Madre de los Sacerdotes, acompañe a cada uno de los ministros ordenados de Brasil y les conceda perseverancia, valor y alegría para seguir sirviendo.

Sin más preámbulos, me despido.

Dado y ejecutado en Brasilia, en la sede de la Nunciatura Apostólica, el 7 de septiembre del año 2026.


† Dom Sávio Rodrigues 
Núncio Apostólico para o Brasil 

† Cardeal Bergoglio
Pro-Núncio 

† Dom Nattan Sneijder
Primerio Secretário








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