Bispo Titular de Tisili
BISPO CUSTÓDIO DE BRASÍLIA
saudação, paz e bênção no Senhor!
Estamos vivendo um momento muito importante para toda a nossa Igreja. A Sé está Vacante, os Cardeais já se encontram reunidos e enclausurados, e hoje teremos a celebração da Missa Pro Ecclesia, dando início a este tempo tão sério que culminará no Conclave. Por isso, quero pedir a todos nós uma coisa muito simples, mas muito importante: vamos viver este momento com oração e responsabilidade.
É muito fácil, nesses momentos, começarmos a falar de nomes, fazer apostas, escolher quem gostaríamos que fosse eleito, criar grupos e até entrar em discussões com irmãos que pensam diferente de nós. Mas precisamos entender que o Conclave não é um campeonato e a Igreja não é um lugar onde precisamos descobrir quem vai ganhar. Enquanto os Cardeais estiverem reunidos, nós também temos uma missão: rezar pela Igreja.
Rezemos para que o Espírito Santo ilumine cada Cardeal. Rezemos para que eles tenham sabedoria, prudência e coragem. Rezemos para que o próximo Papa seja aquele que possa conduzir a Igreja com fidelidade ao Evangelho e com verdadeiro espírito de serviço.
A Palavra de Deus nos mostra isso de maneira muito bonita. Quando os Apóstolos precisaram tomar uma decisão importante para a comunidade, eles não começaram simplesmente a discutir entre si. Eles permaneceram unidos em oração. Atos dos Apóstolos nos diz que eles “perseveravam unanimemente na oração” (At 1,14).
Padres, celebrem suas Missas oferecendo especialmente pela Igreja. Bispos, conduzam suas dioceses neste espírito de oração e unidade. Diáconos, continuem servindo com humildade. Seminaristas, aproveitem este momento também como uma oportunidade de aprender que a vida da Igreja não pode ser conduzida por ambição, disputa ou vaidade, mas por serviço e oração.
E quero fazer uma advertência muito séria a todos nós. Não pensem que, porque estamos longe do Conclave, ninguém está vendo aquilo que fazemos ou falamos. Talvez alguém possa pensar que pode falar qualquer coisa, provocar um irmão, espalhar uma informação sem saber se é verdadeira, fazer campanha por determinado nome ou criar uma divisão dentro da comunidade e depois simplesmente seguir em frente.
Nosso Senhor nos diz no Evangelho: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, nem oculto que não venha a ser conhecido” (Lc 12,2).
Por isso, tenhamos cuidado. Cuidado com nossas palavras, com nossas conversas, com aquilo que publicamos e principalmente com aquilo que fazemos quando pensamos que ninguém está olhando. Talvez alguém pense: “ninguém vai saber”. Mas nós precisamos lembrar que não vivemos apenas diante dos olhos dos homens. Vivemos diante de Deus.
Por isso, neste momento, não devemos procurar alimentar fofocas, criar expectativas ou transformar cada notícia em motivo para uma nova discussão. Se soubermos de alguma coisa, sejamos prudentes. Se não soubermos, não inventemos. Se tivermos uma preferência, não transformemos essa preferência em uma guerra contra quem pensa diferente.
A Igreja já passou por muitos momentos difíceis. E em todos eles, o que sustentou a Igreja não foram as disputas humanas, mas a graça de Deus.
Também precisamos recordar que os próprios Apóstolos tiveram momentos de divisão, dúvidas e discussões. Mesmo assim, Cristo não abandonou Sua Igreja. Ele continuou conduzindo aqueles homens e, no tempo certo, enviou sobre eles o Espírito Santo. É esse mesmo Espírito que precisamos invocar agora.
Que não sejamos aqueles que, durante a Sé Vacante, aumentam as divisões. Que sejamos aqueles que ajudam a Igreja a permanecer unida. Que não sejamos conhecidos por aquilo que falamos contra nossos irmãos, mas por aquilo que fazemos em favor da Igreja.
Que não sejamos aqueles que ficam contando votos, fazendo apostas e tentando descobrir quem será o próximo Papa, mas aqueles que, enquanto todos esperam a fumaça branca, estão de joelhos pedindo: “Vinde, Espírito Santo, e conduzi a vossa Igreja.” Este é um momento para baixar o tom das nossas discussões e elevar o tom das nossas orações.
A partir de hoje, cada Missa, cada Terço, cada Adoração, cada oração pessoal pode ser oferecida por esta intenção. Peçamos também pela perseverança dos Cardeais, pela unidade da Igreja e por aquele que será chamado a assumir uma missão tão grande diante de Deus e dos homens. E quando finalmente ouvirmos o anúncio “Habemus Papam”, que não sejamos aqueles que primeiro perguntam se era o nome que queríamos.
Que sejamos capazes de dizer:
“É o novo Pastor da Igreja. Vamos rezar por ele.”
Porque a Igreja não termina no momento em que um Papa morre ou renuncia. A Igreja continua. Cristo continua sendo sua cabeça. O Espírito Santo continua agindo. E nós continuamos tendo a responsabilidade de servir.
Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja, acompanhe este tempo. Que São Pedro interceda pela Igreja e por seu futuro sucessor. E que o Espírito Santo conduza cada passo deste Conclave.
Que Deus nos livre da vaidade, da ambição, das fofocas e das divisões.
Que nos dê um coração humilde, disposto a servir e capaz de reconhecer que, acima de qualquer nome, grupo ou preferência, está a Igreja de Cristo.
Em Cristo.



