Carta Circular | Nunciatura Apostólica do Brasil

  Prot. N.º 005/2025

  

DOM EDGARD COSTA BERGOGLIO 
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
NÚNCIO APOSTÓLICO DO BRASIL

A todos que lerem estas letras, e em especial aos caríssimos sacerdotes de nossa Igreja Brasileira, saudações em Cristo Jesus.


“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, na fração do pão e nas orações.” (At 2,42)

A Nunciatura Apostólica do Brasil, através da pessoa do seu Representante, o Senhor Núncio Apostólico, dirige-se a todos os membros do clero e do Povo de Deus nesta Nação bendita, para recordar com clareza, firmeza e zelo pastoral a gravíssima importância da participação nas Missas da Santa Igreja, sobretudo nas Missas Pontifícias, nas Missas da própria Diocese e nas Missas presididas pelos Senhores Bispos, Pastores legítimos e sucessores dos Apóstolos.

A Missa, como sabemos, é o centro da vida cristã. O Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium, ensina-nos que a Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã” (SC, 10). Diante dessa verdade, é inegável que a participação plena, consciente e ativa de todos nós é não apenas um dever moral e espiritual, mas também um mandato de obediência e unidade eclesial.

1. A participação nas Missas Pontifícias

As Missas Pontifícias, celebradas pelo Santo Padre, Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo, constituem o cume da expressão da unidade católica no mundo. Nessas celebrações, a Igreja manifesta-se em sua universalidade, congregando filhos e filhas de todas as línguas, povos e nações.
A participação nelas é, portanto, de máxima obrigatoriedade para todos os fiéis, e de modo ainda mais forte para os clérigos, que, por sua ordenação, têm o dever de testemunhar unidade visível com o Sucessor de Pedro. A ausência voluntária, descuidada ou negligente de tais celebrações, especialmente quando acessíveis presencialmente ou pelas transmissões, contraria a comunhão eclesial e fere a obediência devida à Sé Apostólica.

2. A participação nas Missas da Diocese a que se pertence

Recorda-se, com toda a autoridade desta Nunciatura, que cada presbítero e diácono está incardinado em uma Diocese, Prelazia ou outra circunscrição eclesiástica. Não se trata de mera formalidade jurídica, mas de vínculo espiritual profundo, pelo qual cada ministro participa intimamente da missão de santificar, ensinar e governar o povo de Deus sob a condução de seu Bispo.
Desta forma, a participação nas Missas solenes e festivas da própria Diocese não é opção, mas obrigação grave dos clérigos. As ausências injustificadas configuram desobediência e demonstram fragilidade na comunhão eclesial.

O Código de Direito Canônico, no cân. 273, recorda aos clérigos: “Os clérigos têm obrigação especial de prestar respeito e obediência ao Sumo Pontífice e ao próprio Ordinário.” Assim, participar das Missas diocesanas é expressão concreta desta obediência e deste respeito.

3. A participação nas Missas presididas pelos Senhores Bispos

Os Bispos, sucessores dos Apóstolos, são mestres autênticos da fé e pastores do rebanho de Cristo. Quando celebram a Santa Missa, especialmente em solenidades ou visitas pastorais, exercem a plenitude do ministério sacerdotal.
Por isso, a presença dos presbíteros e diáconos nestas Missas deve ser zelosa e assídua. A ausência injustificada revela indiferença à missão do Bispo e debilita a unidade do presbitério. Já a presença atenta, respeitosa e orante fortalece os vínculos da caridade e confirma a comunhão visível do Povo de Deus em torno de seu Pastor.

4. Exortação à fidelidade e unidade

A Nunciatura Apostólica exorta todos os presbíteros e diáconos a serem sempre exemplo de fidelidade, zelo e obediência, participando de maneira ativa, consciente e plena das Missas Pontifícias, Diocesanas e Episcopais. Não se trata de mera formalidade externa, mas de verdadeiro testemunho de fé, de comunhão com Cristo e de unidade com a Igreja.

Exortamos, também, portanto, a todos os meus irmãos no ministério eclesiástico a não negligenciarem nunca a participação nas Missas Pontifícias, Diocesanas e Episcopais. Trata-se de dever grave, de expressão visível da nossa fidelidade e da nossa missão pastoral.
Recordemos sempre que a obediência, a comunhão e a presença ativa são sinais concretos de nossa fidelidade a Cristo e à Sua Igreja. Não se trata de um simples ato de piedade individual, mas de um testemunho público e eclesial, que edifica o Corpo Místico de Cristo e confirma a fé dos irmãos.

5. Conclusão

Que todos os ministros ordenados, religiosos e fiéis do Brasil compreendam que a Eucaristia é o coração da vida da Igreja e que, sem a obediência e unidade expressas na participação nas Missas solenes, enfraquece-se o testemunho cristão diante do mundo.

Esta Nunciatura, em comunhão plena com o Santo Padre, recorda que este chamado não é um conselho, mas uma obrigação que toca diretamente a fidelidade eclesial, a obediência clerical e a unidade do Corpo Místico de Cristo.

Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, e São José, seu esposo, intercedam por todos nós, e que nos inspire a sermos sempre fiéis, solícitos e obedientes na participação das santas celebrações. Que o exemplo dos santos pastores, como São Carlos Borromeu e São João Maria Vianney, nos motive a jamais faltar com a devida honra ao altar do Senhor e à comunhão com nossos legítimos pastores.

“Obedecei a vossos pastores e sede submissos, porque eles velam por vossas almas como quem deve prestar contas.” (Hb 13,17)

Brasília, Palácio da Nunciatura, 22/09/2025.



+ Dom Edgard Costa Bergoglio
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